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domingo, 17 de julho de 2011

Maneira de Amar


                        De Carlos Drummond de Andrade:


Girassol por glamoroussky
O jardineiro conversava com as flores e elas se habituaram ao diálogo.
Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio.
O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza.

Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam.
Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na devida ocasião.

O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mando-o embora, depois de assinar a carteira de trabalho.

Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude.
A mais triste de todas era o girassol, que não se conformava com a ausência do homem. "Você o tratava mal, agora está arrependido?" "Não, reposndeu, estou triste porque agora não posso tratá-lo mal. É a minha mneira de amar, ele sabia disso , e gostava".
Girassol por Pillmann


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Hei! Tem flores perto de você!

                                     Corre, olha pela sua janela!
                                                 É um buquê pra você!
Se você mora em São Paulo, em apartamento, possívelmente tem uma esplendorosa árvore ricamente florida aí, bem pertinho da sua janela.
Talvez correndo, no trânsito, à caminho do trabalho você nem tenha reparado direito e esteja perdendo a oportunidade de presentear seus olhos com verdadeiros arranjos de flores gigantes espalhados pela cidade, nesta primavera sui generis, tão seca e quente.  
 É o ipê. E este rosado que vemos por toda a cidade é o ipê-de-el-salvador (Tabebuia pentaphilla), muito parecido com os gêneros amarelo, branco e roxo, com formato de trombeta.
Ele atinge o auge da floração em outubro, por isso atenção: estamos em seus últimos dias.

 Há várias Tabebuias conhecidas como ipê-rosa: De crescimento bem rápido em regiões livres de geadas (em dois anos ela atinge 3,5 metros), pode atingir até 35 m. A Tabebuia impetiginosa é originária da Bacia do Paraná, conhecida também por piúva. Floresce abundantemente de Junho a Agosto, e prefere climas mais quentes, porém num Inverno seco e ameno, ela oferece também uma linda florada no começo da Primavera. Ideal para áreas isoladas, ou paisagismo de grandes avenidas, o Ipê Rosa prefere solos férteis e bem drenados. É largamente empregada no paisagismo em geral por apresentar belíssimas inflorescências de cor rosa. É uma espécie recomendada para recuperação de ecossistemas degradados, sendo considerada promissora para revegetação de áreas contaminadas com metais pesados. (Wikipédia)

                               O ipê rosa não costuma perder todas as folhas, mas este ano a Natureza
                                 foi generosa com a cidade: a floração do ipê rosa foi mais forte,
                          as folhas caíram quase que totalmente e os galhos restam re-ple-tos de flores.

                                                 Que tal, relaxar um pouco, desestressar em plena
                                                                            correria da cidade...
                                                como não se emocionar com tão exuberante presente da natureza.
                             
                            Mas, como disse, corra, pois são os ultimos dias do ano para curtir seu buquê.

sábado, 30 de outubro de 2010

Flores em Você



As pessoas não estão sempre iguais... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. (João Guimarães Rosa)


Importante é crescer nas mudanças, ainda que não as enxergue, que pareça o contrário, ainda que demore a perceber. Vivemos o presente, às vezes nem o vivemos, deixamos viver.
Nem sempre gostaríamos de lembrar tudo depois - eu mesma tenho andado tão esquecida ultimamente. Ainda assim chega o momento se ver flores (mesmo que esse momento passe repentinamente). Mas é o outro que me faz ver flores. É no relacionamento com o outro que me proporciona ver flores em mim. Digo, não no outro, mas na pessoa que sou através do outro.
Quando o ser humano te inspirar a ser uma pessoa melhor, prepare-se... é primavera.